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Sintomas do câncer de bexiga podem ser confundidos com outras enfermidades

Dr. Rafael Ribeiro Meduna 

O mês de julho é marcado pela campanha de conscientização do diagnóstico precoce e do tratamento do câncer de bexiga. A importância de alertar a população tem impacto direto na saúde e qualidade de vida, uma vez que ainda enfrentamos a pandemia e os reflexos do covid-19 e suas variantes. A campanha serve estímulo para que as pessoas, com ou sem histórico da doença na família, passe a buscar orientação e acompanhamento médico.

Levantamento estatístico realizado no período de 2019 e 2020, capitaneado pela Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo, revelou um dado alarmante: a redução média de 26% no diagnóstico de novos casos de tumores de rim, próstata e bexiga. Especificamente em relação ao câncer de bexiga, o Hospital das Clínicas da Unicamp observou uma queda de 52% no diagnóstico de novos casos e no Hospital AC Camargo Cancer Center, a redução foi de 24%.

Esses dados são muito preocupantes. Se não considerarmos os tumores de pele não melanoma, o câncer de bexiga é sexto tumor mais frequente entre os homens e o décimo quarto nas mulheres na região sudeste do Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) o número de casos novos de câncer de bexiga, estimados em 2022 para o Brasil, é de 7590 mil casos em homens e 3050 em mulheres.

Em relação à mortalidade, em 2017, foram computados cerca de 3021 óbitos em câncer de bexiga em homens, e 1334 e mulheres. O principal fator de risco para desenvolver a doença é o cigarro, sendo responsável por cerca de 50% por casos. O risco está diretamente relacionado com a duração e intensidade do ato de fumar.

Além disso, o tabagismo passivo também está associado a um risco aumentado de câncer de bexiga. Outros fatores associados, contudo, em menor grau, são a exposição ocupacional prolongada às substâncias químicas chamadas de aminas aromáticas que podem ser cancerígenas (principalmente em indústrias que processam tintas, corantes e derivados do petróleo) e irritações crônicas na bexiga, como infecções e cálculos.

A prevenção desse tipo de doença é focada em evitar a exposição a esses fatores de risco. Dessa forma, a principal prevenção é não consumir tabaco. Trabalhadores, que estão em contato diário com produtos químicos, devem usar equipamentos de proteção individual para maior segurança durante o trabalho. Além disso, é recomendado também buscar por hábitos saudáveis de vida, alimentação adequada, prática de exercícios físicos.

O câncer de bexiga pode causar sintomas nos estágios iniciais. Os mais comuns, nesses casos, é o sangramento visível na urina, chamado de hematúria. Outro indicativo do câncer de bexiga é o desconforto ao urinar, como dor e ardência. Além disso, alterações no hábito urinário, como aumento da frequência ou urgência em urinar, também são sintomas que devem ser avaliados.

Nos casos mais avançados da doença podem ocorrer sintomas como perda de peso, cansaço, fraqueza, perda do apetite, dor óssea e incapacidade de urinar. Contudo, a presença desses sintomas não significa, necessariamente, a presença do câncer de bexiga. Outras doenças mais comuns também podem apresentar esses sintomas, como infecção urinária, aumento benigno da próstata, bexiga hiperativa e pedras nos rins e bexiga.

Dessa maneira, na presença desses sintomas é sempre importante ser avaliado por um médico especialista para que a causa dos sintomas possa ser avaliada de forma correta.

Tratamentos

Por meio da associação da história clínica e exame físico, o médico pode suspeitar do diagnóstico de câncer de bexiga. Para realizar um diagnóstico mais preciso podem ser solicitados alguns exames de imagem (ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética). O exame diagnóstico mais importante para avaliação do câncer vesical é a cistoscopia. Com esse exame, o médico consegue avaliar o interior da bexiga do paciente com uma câmera. O tratamento do câncer de bexiga é indicado de acordo com o grau da doença, profundidade da invasão do tumor na parede da bexiga e se invade outros órgãos.

No caso de tumores iniciais, o tratamento realizado é a ressecção transuretral da bexiga, conhecida como "raspagem da bexiga". Em alguns casos, podemos associar a esse tratamento, a aplicação de drogas como BCG, quimioterápicos ou imunotera?picos dentro da bexiga.

Em tumores que invadem a musculatura da bexiga, com a cistectomia radical (retirada de toda a bexiga) é a forma mais adequada de tratamento, podendo ser precedido pela quimioterapia em algumas situações. Como tratamento alternativo, a retirada total da bexiga, pode ser utilizado uma combinação de raspagem da bexiga, quimioterapia e radioterapia.

Em geral, esse tratamento alternativo é destinado a pacientes com muitos problemas de saúde que não tem condições para realizarem a retirada total da bexiga. No caso de tumores mais avançados com presença de metástases (invasão de outros órgãos) o tratamento mais adequado é a quimioterapia ou imunoterapia. A recomendação em saúde continua valendo: o quanto antes se diagnosticar o problema, mais chances de cura o paciente terá.

            

Dr. Rafael Ribeiro Meduna é membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo, urologista do Hospital AC Camargo Cancer Center.

 

 

          

 

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