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HPV também pode afetar a garganta e acometer recém-nascidos

Dr. Domingos Tsuji

Muito se fala sobre o vírus HPV, sobretudo no que se refere aos riscos de câncer de colo de útero em mulheres e à relação que tem com a sua transmissão sexual. O tema, entretanto, é bem mais amplo do que as pessoas geralmente imaginam. Há várias outras especialidades da Medicina que também estudam esse tipo de infecção – e uma delas é a Otorrinolaringologia.

Isso porque o HPV também pode se manifestar nas mucosas da garganta. Trata-se da Papilomatose Respiratória, uma condição rara ocasionada pelo mesmo vírus, que afeta o sistema respiratório, principalmente a laringe. A principal característica é formação de verrugas no tecido infectado, que podem chegar a obstruir a passagem de ar pela via aérea, além de potencializar a evolução para um quadro clínico de câncer.

A maior preocupação se dá em relação aos bebês, que podem ser infectados pelo vírus durante o trabalho de parto. Por terem uma estrutura faringolaríngea mais estreita, a evolução do crescimento das verrugas pode obstruir a passagem do ar com maior rapidez. Os principais sintomas são rouquidão, tosse crônica e dificuldade para respirar.

Em adultos, a incidência é mais comum entre pessoas de 30 a 40 anos e ocorre através da atividade sexual. Os sintomas, contudo, aparecem de forma mais branda. Embora também possam apresentar rouquidão progressiva, os pacientes raramente desenvolvem insuficiência respiratória ou precisam de procedimentos de urgência. Geralmente, as lesões são menos exuberantes e crescem mais lentamente.

Em ambos os casos, porém, o diagnóstico segue o mesmo rito: o primeiro passo é a realização de um exame de videolaringoscopia para visualizar a região. Através desse procedimento, é possível identificar a lesão ocasionada pelo HPV, que, na maioria das vezes, é muito característica e fácil de reconhecer. Elas se assemelham a cachos de uva ou verrugas com pequenos pontos escuros e podem estar restritas a uma porção da laringe ou afetar mais locais, como as pregas vocais, as pregas vestibulares e a epiglote.

A confirmação do diagnóstico requer a retirada da lesão e análise histológica dos fragmentos.

Quanto ao tratamento, o principal método é a microcirurgia de laringe, podendo-se associar medicações adjuvantes para aumentar a eficiência do resultado cirúrgico. Ainda assim, podem ocorrer múltiplas recidivas e, por isso, os tratamentos costumam ser longos e requerem acompanhamento periódico, até que seja confirmada a total remissão da doença.

Dr. Domingos Tsuji é médico otorrinolaringologista especialista em Saúde da Voz, docente associado da Faculdade de Medicina da USP e diretor fundador do Voice Center do Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

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