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Por que cuidar da mente também ajuda a controlar a pressão alta - Luciano Drager

Por que cuidar da mente também ajuda a controlar a pressão alta
 
Ansiedade, noites mal dormidas e rotina intensa entram no radar como fatores de risco para hipertensão e podem agravar o problema sem que você perceba
 
A relação entre saúde mental e hipertensão arterial tem chamado a atenção de pesquisadores e médicos. De acordo com o Ministério da Saúde1, cerca de um terço da população adulta apresenta diagnóstico de hipertensão, condição considerada um dos principais fatores de risco para infarto e AVC e que costuma evoluir de forma silenciosa, sem sintomas claros. Além dos fatores tradicionais, como genética, alimentação rica em sal, sedentarismo e obesidade, evidências recentes indicam que transtornos como ansiedade, estresse crônico e depressão também podem contribuir para o surgimento e agravamento da doença.
 
Estudo publicado no Journal of the American Heart Association2 e uma ampla revisão sistemática de 20253 mostram que a presença simultânea de ansiedade e depressão esteve associada à maior probabilidade de hipertensão em jovens adultos, sugerindo que fatores emocionais podem influenciar não apenas o bem-estar psicológico, mas também a saúde cardiovascular.
 
Para o cardiologista Luciano Drager, coordenador de Ensino e Pesquisa em Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, a hipertensão é uma condição complexa e multifatorial, resultado da interação entre predisposição genética e fatores ambientais. “Tradicionalmente, olhávamos mais para fatores como idade, obesidade, sedentarismo e consumo de sal. Mas hoje sabemos que transtornos de humor, como ansiedade e depressão, também podem contribuir para o desenvolvimento da hipertensão”, afirma.
 
Segundo o especialista, episódios frequentes de estresse e ansiedade podem desencadear reações fisiológicas que, ao longo do tempo, impactam a pressão arterial. “Esses quadros ativam respostas de alerta no organismo, com liberações repetidas de adrenalina e outros hormônios do estresse. Quando esse processo se torna crônico, pode favorecer a elevação sustentada da pressão arterial”, explica.
 
O estresse também pode atuar de forma indireta ao influenciar hábitos de vida associados ao risco cardiovascular. Alterações no sono, alimentação desregulada, sedentarismo e ganho de peso são comportamentos frequentemente relacionados a rotinas estressantes. “Muitas vezes, o estresse vem acompanhado de noites mal dormidas, piora da alimentação e menor prática de atividade física. Esse conjunto de fatores também contribui para o aumento da pressão”, diz Drager.
 
Para reduzir o risco, a recomendação é apostar em uma combinação de hábitos saudáveis. “Mais do que proibir, o caminho é orientar de forma prática: manter uma alimentação equilibrada, reduzir – mas não eliminar – o sal, praticar atividade física e cuidar da qualidade do sono são medidas essenciais”, destaca o cardiologista.
 
Drager reforça, ainda, que o cuidado com a saúde mental deve fazer parte da rotina. “Regular o sono, criar pausas no dia a dia e aprender a lidar com situações de estresse são atitudes simples que podem ter impacto real na pressão arterial. Cuidar da mente também é uma estratégia importante de prevenção cardiovascular”, conclui.
 


Referências
1 Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2006-2024: estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no DF. Acesso em 17/03/2026. 
2 Journal of the American Heart Association. Depression and Anxiety Are Associated With Cardiovascular Health in Young Adults. Acesso em: 17/06/2026. 
3 AKANGBE, et al. Comorbidity of Anxiety and Depression With Hypertension Among Young Adults in the United States: A Systematic Review of Bidirectional Associations and Implications for Blood Pressure Control. 2025.

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