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NOSSAS ESTRATÉGIAS PARA O COMBATE DO GLAUCOMA ESTÃO CONSEGUINDO CONTROLAR A DOENÇA?

O glaucoma é a segunda causa de cegueira no mundo, vindo logo depois da catarata, mas é a principal causa de deficiência visual no mundo
 Assintomático e muitas vezes invisível, o glaucoma lentamente afeta a visão do paciente, danifica o nervo óptico e a retina. “Por atacar silenciosamente a visão, a doença tem um diagnóstico difícil; apenas a monitorização a longo prazo, da PIO (Pressão intra-ocular) e o exame de campo visual podem evitar que adoença se instale, provocando danos à visão, que não poderão ser restaurados, em muitos casos”, afirma o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.
Apesar de anos e anos de pesquisas, uma cura para o glaucoma ainda está longe. Na melhor das hipóteses, os oftalmologistas, hoje, podem evitar a cegueira com tratamentos para redução da PIO, com o uso de colírios e cirurgias. Mas todas estas formas de terapêutica estão longe de ser a cura e podem apresentar efeitos colaterais.
Estima-se que 60,5 milhões de pessoas tenham glaucoma no mundo. Deste contingente, 44,7 milhões estão com o diagnóstico de glaucoma de ângulo aberto e 15,7 milhões apresentam glaucoma de ângulo fechado. Este número deverá aumentar para 80 milhões até 2020, principalmente devido ao envelhecimento da população mundial. Os dados são do estudo "The number of people with glaucoma worldwide in 2010 and 2020”, realizado por Harry Quigley, diretor do Dana Center for Preventive Ophthalmology, Wilmer Eye Institute, Johns Hopkins University, Baltimore.
“O glaucoma é a segunda causa de cegueira no mundo, vindo logo depois da catarata, mas é a principal causa de deficiência visual no mundo. E é a causa número um de cegueira irreversível e potencialmente evitável”, observa Virgilio Centurion. Nos países desenvolvidos, menos de metade das pessoas com glaucoma estão conscientes de que têm a doença, e este número é ainda menor nos países em desenvolvimento.
A maioria dos casos de glaucoma do mundo concentra-se na Índia e na China, ou seja, na Ásia, reduto de nações com as maiores populações mundiais. A doença também é um enorme problema na África, onde o glaucoma de ângulo aberto é o principal forma de apresentação da doença. O glaucoma na África não é simplesmente uma doença que cega, mas uma doença associada com maior mortalidade.
Países desenvolvidos como os EUA “têm suas próprias lutas contra a doença”, que abrangem principalmente problemas com a falta de adesão ao tratamento. Já nas regiões em desenvolvimento como a África, os desafios do glaucoma vão desde o mais básico em termos de educação, sensibilização para o diagnóstico da doença e falta de opção para tratar as formas mais complexas da doença.
Segundo dados da Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB) não existem esforços globais eficientes para  lutar contra a deficiência visual causada pelo glaucoma. Além disso, nos últimos 10 anos, poucos países têm  estabelecido programas de prevenção abrangentes, que incluem a gestão do glaucoma.
A doença no Brasil
Para o oftalmologista Ricardo Giacometti Machado, especialista em glaucoma do IMO, o Brasil tem ainda muitos desafios a superar quando o assunto é glaucoma. “Com a prática clínica, percebo que um desafio grande é fazer com que as pessoas façam um exame oftalmológico preventivo. Cerca de 50% das pessoas com glaucoma não sabem que têm a doença. Após o diagnóstico, outro desafio é conseguir que o paciente se envolva no próprio tratamento e use os seus medicamentos de maneira apropriada, respeitando a prescrição médica”, diz o oftalmologista.
Ricardo Machado defende que a o glaucoma é uma doença que precisa de campanhas educativas constantes. “A melhor forma de combater a doença é mais conscientização pública através de campanhas publicitárias intensivas, como essas utilizadas para encorajar as pessoas acima de idade 50 a fazerem uma colonoscopia ou mulheres a fazerem uma mamografia anual”, defende o médico.
A seguir, o especialista em glaucoma enumera algumas estratégias úteis na “luta contra a doença”:
1) Faça o  paciente se comprometer

O glaucoma é uma doença que, por suas características clínicas e seu prognóstico visual requer comprometimento do paciente com o tratamento. Trata-se de uma doença crônica que deve receber acompanhamento e tratamento prolongados, condições que ajudam a prevenir a cegueira.
A falta de adesão ao tratamento pelo paciente é uma causa importante de controle inadequado de pressão intra-ocular. São muitos os pacientes em tratamento que deixam de usar os medicamentos antiglaucomatosos corretamente.
“É de extrema importância a manutenção e o reforço das orientações médicas durante todo o tratamento, pois assim como a diabetes e a hipertensão arterial, o glaucoma não tem cura, mas é passível de controle, garantindo a qualidade de vida do paciente”, defende o oftalmologista.
Ricardo Machado destaca que os pacientes que não demonstram adesão ao próprio tratamento tendem a justificar a irregularidade no tratamento ou a falta de aderência medicamentosa, estabelecendo uma relação de "causa e efeito" entre essa irregularidade e os fatores físicos e orgânicos (como, por exemplo, os efeitos colaterais) ou associando essa irregularidade a fatores sócio-econômicos. 
2) Ofereça informação de qualidade
A relação médico-paciente é a mais importante fonte de informações para o paciente portador de glaucoma, associada ao acesso a jornais, internet, revistas ou livros.
“Os oftalmologistas desempenham um papel importante na detecção precoce do glaucoma e na sua desmistificação, pois o desconhecimento sobre a doença e a elaboração de idéias falsas tendem a gerar a falta de participação do paciente no tratamento, agravando o prognóstico visual”, conta Machado.
Como os estudos sobre o glaucoma avançaram, ao longo dos anos, o acesso às informações atualizadas é fundamental para uma estratégia de prevenção eficaz. A pressão intra-ocular já não é mais tida como fator indispensável para a ocorrência da doença. O aumento da pressão intra-ocular é considerado, hoje em dia, como o principal fator de risco, mas não o único. Portanto, no diagnóstico do glaucoma, outros fatores somam-se a ela, acarretando pior prognóstico da doença.
“Muitos estudos destacam o fato de que pacientes mais bem informados apresentam melhor comprometimento com o tratamento. E nos casos de tratamentos prolongados, sem compreensão da sua finalidade e importância pelo paciente, torna-se difícil a participação dele no tratamento”, defende o médico.
3) Saiba quais são os fatores de risco
A aquisição do conhecimento sobre o papel da hereditariedade é muito importante para alertar descendentes sobre o isco de desenvolver o glaucoma. O glaucoma é frequentemente uma doença de caráter hereditário e, por isso, em famílias de portadores de glaucoma há a necessidade que todos façam os exames preventivos.
“É muito importante que seja difundido também que o glaucoma representa um dos problemas mais significativos no campo da saúde pública e afeta mais comumente pessoas acima de 40 anos de idade, mas pode surgir antes dessa idade”, explica Ricardo Machado.
Pessoas da raça negra e portadores de diabetes, pressão arterial aumentada e miopia severa também têm um risco maior de desenvolver a doença.
Além disso, é importante lembrar que existem mais de 20 tipos de glaucoma, cada um com seu conjunto de fatores de risco. Somente em uma avaliação oftalmológica completa e detalhada os fatores de risco poderão ser identificados.
4) Peça exames preventivos
Visando a prevenção do glaucoma, é muito importante o médico solicitar, pelo menos, uma vez ao ano, exames para verificar a pressão ocular e para que o nervo óptico seja examinado.
O glaucoma, para ter um bom prognóstico, depende essencialmente do diagnóstico precoce e prevenção. “Havendo suspeita de glaucoma, ele poderá solicitar exames de campo visual para verificar seu possível comprometimento. E dependendo da suspeita, solicitar exames de imagem para auxiliar no diagnóstico, como o HRT, o GDX e o OCT, que analisam as fibras nervosas da retina e do nervo óptico”, diz o especialista em glaucoma.
“A tonometria é um exame essencial também, pois é capaz de rastrear o aparecimento do glaucoma. Ao medir a pressão ocular, por meio do tonômetro, o oftalmologista pode detectar a presença de hipertensão ocular, que pode ou não ser diagnosticada como glaucoma, de acordo com a alteração ou não dos demais exames”, diz Ricardo Machado.

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