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A microbiota intestinal pode guiar para o bem ou para o mal o diabetes e a obesidade

“As bactérias do nosso intestino (microbiota) interferem no controle glicêmico e na obesidade. Elas produzem tanto substâncias boas (ácidos graxos de cadeia curta - SCFA - notavelmente o butirato) quanto nocivas para a parede do intestino. Assim, podem deixar o intestino mais ou menos permeável ao seu conteúdo, que, na obesidade e diabetes está pró-inflamatório”, explica Dr. Thiago Fraga Napoli, endocrinologista palestrante do 15º Congresso Paulista de Endocrinologia e Metabologia, o COPEM 2023, congresso da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo.

Segundo o especialista, um intestino mais permeável pode facilitar a absorção de calorias, assim como de substâncias inflamatórias (LPS - lipopolissacáride), que confundem o nosso apetite, originado lá no hipotálamo. Ao absorver mais calorias, a glicose pode se elevar ainda mais. E ao comer pior, porque nosso apetite está confuso, também contribui para elevação da glicose.

O butirato – uma das substâncias boas dentro dos SCFAs - tem um papel protetor importante sobre a glicemia: produzido pela digestão de fibras, ele atua em enzimas chaves para controlar a produção de glicose, ajuda na saciedade produzindo GLP1 (o mesmo hormônio que vêm sendo usado para diabetes e obesidade nas "canetinhas"), além de nutrir e preservar a mucosa intestinal, afastando bactérias ruins que poderiam atrapalhar a qualidade da barreira intestinal.

Na pessoa com diabetes, assim como no indivíduo com obesidade, há a redução das bactérias que protegem o intestino de ter sua barreira vazada (leaky gut), ao mesmo tempo que se reduzem as que produzem ácidos graxos de cadeia curta (bons) e aumentam as que produzem substâncias que pioram a glicose. Assim, o intestino passa a ser mais um órgão problemático jogando combustível para a piora do diabetes.

“Quando você melhora a sua dieta, reduz ingestão de gordura animal, aumenta consumo de fibras, está tratando a microbiota. Quando toma medicações para diabetes, elas também ajudam a melhorar sua microbiota intestinal. Usar as medicações prescritas, comer de forma equilibrada e até atividade física e sono modulam microbiota. Ou seja, somos um ecossistema que deve ser cuidado corretamente”, explica Dr. Thiago.

Quando transferida a microbiota, em ambiente de laboratório, de quem usou certas medicações, somente a presença das bactérias "otimizadas" conseguiu manter parte do benefício das medicações, mesmo os indivíduos da pesquisa não tomando a medicação original.

“Existem alguns trabalhos com o objetivo de transplante de fezes para contribuir com melhores resultados glicêmicos, mas os desfechos são muito discordantes e o efeito não é sempre o esperado. Por ora, não é um tratamento confiável ou que deva ser aplicado fora de centros de pesquisa sob aprovação de comitê de ética”, alerta Dr. Thiago. Durante o COPEM 2023, o endocrinologista trará as últimas informações sobre microbiota e glicemia em aula intitulada “A Conexão entre a Microbiota e o Controle Glicêmico”.

“Ainda não sabemos realmente como tratar microbiota, os estudos ainda são iniciais e as conclusões são conflitantes. É uma área promissora, em que os tratamentos disponíveis são de alto custo. A maioria deles, no entanto, pode ser empregado em medicações mais bem comprovadas, principalmente, na área de obesidade e diabetes”, finaliza o endocrinologista.

 Centro de Convenções Frei Caneca,

Rua Frei Caneca 569, Bela Vista, São Paulo

4 a 6 de maio de 2023

Informações: www.copem2023.com.br

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