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Tratamento de câncer de mama está associado a ganho de peso

Um estudo realizado pela primeira vez somente com mulheres brasileiras confirma que a quimioterapia provoca aumento de peso e interfere no índice de massa gorda em pacientes que tratam o câncer de mama. A pesquisa recente, publicada pelo Multidisciplinary Digital Publishing Institute (MDPI), foi realizada em quatro regiões do País e envolveu instituições importantes como A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo, referência internacional no tratamento da doença. “Os dados mostram que as mulheres que fazem quimioterapia precisam, necessariamente, de um acompanhamento nutricional realizado por especialistas”, afirma um dos autores do estudo, o mastologista Ruffo Freitas-Junior, assessor especial da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Entre 2004 e 2018, Freitas-Junior e outros 13 pesquisadores de importantes universidades brasileiras e também da Universidade de Queensland, na Austrália, coletaram informações sobre 304 pacientes em tratamento de câncer de mama em seis Estados de quatro regiões brasileiras: São Paulo, Minas Gerais (Sudeste), Rio Grande do Sul, Santa Catarina (Sul), Goiás (Centro-Oeste) e Ceará (Nordeste). Os resultados da investigação estão no artigo “Impacto do regime quimioterápico na composição corporal de mulheres com câncer de mama: estudo multicêntrico em quatro regiões brasileiras”.

“Estudos ao redor do mundo, associando ganho de peso, aumento de massa gorda, são de conhecimento da comunidade médica. Mas acreditamos que pela primeira vez temos dados avaliados exclusivamente com a população brasileira”, destaca o mastologista da SBM.

Para selecionar as participantes brasileiras no estudo, os pesquisadores consideraram mulheres com idade igual ou superior a 18 anos, com câncer de mama em estágios clínicos de I a III, ou seja, de casos iniciais a avançados. Todas as pacientes, informa Freitas-Junior, foram submetidas a tratamento com taxanos, principal droga quimioterápica conhecida pela sigla TC.

De acordo com o mastologista, a pesquisa foi iniciada com as pacientes no momento do diagnóstico. “Ou seja, o estudo começa antes da primeira sessão de quimioterapia e segue até duas semanas após a finalização do ciclo de aplicação da droga”, explica.

Depois das sessões de quimioterapia, o especialista conta que as brasileiras com câncer de mama apresentaram maior Índice de Massa Corpórea (IMC), na comparação com um estudo realizado com mulheres dinarmarquesas.

O ganho de peso, indica a pesquisa nacional, pode variar entre 8 e 10 quilos, independentemente da idade das pacientes, estadiamento clínico do câncer de mama e consumo de alimentos. “Para realizar a quimioterapia, as mulheres enfrentam mudanças na rotina diária”, destaca Freitas-Junior. “Os efeitos colaterais das drogas interferem na alimentação e na atividade física, o que leva a um menor fluxo de energia e, consequentemente, à desaceleração do metabolismo”, completa.

 Nutrição e exercícios

Como forma de amenizar o ganho de peso e de massa gorda em mulheres que tratam o câncer, o mastologista destaca a importância de um acompanhamento nutricional, assim como a prática de atividade física, ambas acompanhadas por especialistas.

Aliada na recuperação das pacientes, a alimentação também tem papel fundamental para evitar a doença. A literatura científica é unânime ao destacar a importância de uma dieta equilibrada e vários especialistas destacam o papel dos alimentos funcionais como auxiliares preventivos deste tipo de neoplasia.

Os alimentos funcionais compõem um grupo amplamente estudado pela Ciência. São ácidos graxos, poliinsaturados ômega 3, prebióticos e probióticos, entre outros. Neste sentido, pesquisas indicam que dietas baseadas no consumo regular de frutas, vegetais, cereais integrais, ervas, entre outros, são coadjuvantes da boa saúde.

Tão importante quanto os estudos científicos, como o que foi publicado pela MDPI, do qual Ruffo Freitas-Junior participa, e sinaliza aprimoramentos no tratamento do câncer, é disseminar entre a população brasileira medidas que tenham impacto positivo na qualidade de vida e na prevenção da doença. “Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sem dúvida, aparecem no topo da lista”, finaliza o mastologista.

 

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