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Uso recorrente de Tadalafila apresenta riscos para os mais jovens

De acordo com Thiago de Melo, pesquisador na área de farmacologia, muitos passaram a utilizar a substância em busca de melhores resultados na academia - mas não são isentos de risco

Recentemente houve um aumento alarmante no uso de Tadalafila, conhecida comercialmente como Cialis, entre jovens frequentadores de academias em busca de resultados mais expressivos de performance. Embora essa substância seja comumente associada ao tratamento de disfunção erétil em homens mais velhos, seu uso entre os mais jovens levanta sérias preocupações sobre potenciais efeitos adversos preocupantes diante do consumo à longo prazo.

De acordo com Thiago de Melo, farmacêutico e pesquisador na área de Ciências Farmacêuticas, professor de pós-graduação nos cursos de Ciências Farmacêuticas e Farmacologia e no curso de graduação de Medicina pela Universidade Vila Velha (UVV), a Tadalafila atua potencializando a ação do óxido nítrico, intensificando a resposta vasodilatadora. “Essa ação fisiológica é, muitas vezes, o que atrai atletas e frequentadores de academias, embora seu efeito principal não seja nos músculos, mas sim nos corpos cavernosos do pênis, por inibir de forma específica uma enzima chamada fosfodiesterase tipo 5”, revela.

Segundo o especialista, “a questão central é se essa vantagem ainda questionável de efeito “pump muscular” vale os riscos associados ao uso prolongado da substância”, declara.

A faixa etária e os riscos desnecessários

O pesquisador acredita ser essencial destacar a diferença entre um idoso que busca melhorar a função endotelial reduzida aos 65 anos, e um jovem de aproximadamente 25 anos que adota a Tadalafila como parte de sua rotina diária. “Enquanto a primeira situação pode envolver questões médicas específicas e pontuais, a segunda levanta sérias preocupações sobre os efeitos a longo prazo e elevadas doses (20 mg), especialmente quando se considera a possibilidade de desenvolvimento de disfunção erétil, seguida, muitas vezes, com necessidades de intervenções cirúrgicas invasivas”, alerta.

Para Thiago, esses possíveis efeitos colaterais não apenas contradizem as expectativas dos usuários, mas também impõe sérios desafios emocionais e psicológicos. “A necessidade de tratamento cirúrgico em casos de disfunção erétil relacionada ao uso de Tadalafila destaca um aspecto comumente negligenciado desses suplementos. Jovens, muitas vezes movidos pela busca incessante por padrões estéticos, podem encontrar-se presos em um ciclo perigoso de dependência e intervenções médicas”, pontua.

Repensando o caminho para a saúde

O fascínio pelo corpo perfeito não deve obscurecer os potenciais riscos associados ao uso indiscriminado de substâncias como a Tadalafila. “É crucial considerar não apenas os benefícios imediatos que esses suplementos podem oferecer, mas também os efeitos a longo prazo em sua saúde física e mental”, relata.

Para o especialista, os profissionais de saúde têm a responsabilidade de educar sobre os riscos envolvidos, incentivando escolhas mais informadas e seguras. “O preço a pagar por aparentes resultados na academia não pode colocar em xeque a própria saúde. É hora de reavaliar o caminho trilhado em uma busca incessante pelos padrões”, finaliza.

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