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Por que o aumento de diagnósticos de hanseníase é essencial para o Brasil? Comunicado da Sociedade Brasileira de Hansenologia

O Brasil é um território de alta endemicidade para a hanseníase – a doença está de norte a sul e um dos maiores problemas é que a capacidade de diagnóstico está muito aquém do número de doentes sofrendo e transmitindo o Bacilo de Hansen indiscriminadamente. Para tirar o país do topo do ranking, a estratégia é aumentar diagnósticos. A notificação de casos é a esperança não somente para controlar números, mas para conferir dignidade às pessoas.

Atrás da Índia, Brasil é o segundo país em números absolutos de casos, mas é o primeiro no ranking global em taxa de detecção, que é o percentual de diagnósticos a cada 100 mil habitantes. Mais de 90% dos diagnósticos das Américas estão no Brasil. A quebra da cadeia de transmissão do bacilo se dá quanto mais diagnósticos e tratamentos formos capazes de fazer. Paradoxalmente, quando uma região do país registra altos índices de novos casos, a política de enfrentamento está correta.

É o que vem acontecendo no Mato Grosso onde estão em campo as primeiras turmas de médicos com especialização em Hansenologia, depois de quatro décadas sem cursos nesta área. A explosão de casos não é o caos. O caos está na endemia oculta da doença no Brasil.

Nossa preocupação se dirige às regiões sem diagnóstico de hanseníase. Em muitas delas, esses pacientes continuarão sendo afastados de suas atividades por sequelas por não terem sido “enxergados” anos antes.

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa. O bacilo causa inflamação nos nervos provocando dores pelo corpo, formigamentos ou fisgadas. Com evolução lenta, a doença pode levar cinco ou dez anos para se manifestar. O paciente pode perder totalmente a sensibilidade em algumas partes do corpo, mas antes passa por um processo gradual de perda de capacidade de sentir dor, calor ou frio e pode ter manchas esbranquiçadas ou avermelhadas que surgem pelo corpo e não raro são confundidas com micoses, alergias ou outras manifestações dermatológicas. O diagnóstico é clínico e depende de avaliação de um conjunto de sinais e sintomas.

O tratamento é feito pelo SUS. Se a doença for tratada ao surgimento dos primeiros sinais, o paciente tem cura e evita sequelas muitas vezes incapacitantes e irreversíveis, podendo chegar à cegueira, por exemplo. O que precisamos é ter coragem para encarar a necessidade de aumentar diagnósticos, daí que é incabível o medo pelo custo político da explosão de casos e cabe ao país a estratégia de orientar a população com campanhas efetivas como há décadas se faz para temas como AIDS/HIV, câncer etc.

Sociedade Brasileira de Hansenologia
Marco Andrey Cipriani Frade
Presidente

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