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Leucemia Mieloide Aguda: o que é preciso saber sobre a doença

A maioria das pessoas ja ouviu falar de leucemia, certo? A doença, conhecida popularmente como “câncer no sangue”, é classificada de acordo com as células que são afetadas pelo clone neoplásico, podendo ser linfoide ou mieloide[1], que é o caso da Leucemia Mielóide Aguda (LMA), o tipo mais comum e mais agressivo do tumor[2]. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), cerca de 11 mil casos de leucemia são diagnosticados todos os anos no Brasil[3], em que pelo menos 10%[4] são de LMA.

Quando afetado por esse tipo de leucemia, o organismo produz glóbulos brancos anormais, que crescem descontroladamente e rapidamente substituem os glóbulos saudáveis[5]. Além disso, as células da doença podem infiltrar outros órgãos, incluindo o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal), pele e gengivas.[6] Saiba mais sobre a doença e fique atento aos seus sinais.

Doença pode atingir os mais idosos, mas as faixas etárias mais jovens também são impactadas

A maior parte dos casos costuma acontecer em adultos acima de 60 anos[7], o que dificulta o seu diagnóstico, já que pode ser facilmente confundida com o processo de envelhecimento. Infecções recorrentes, anemia, palidez, perda de peso sem explicação aparente e manchas roxas pelo corpo são alguns dos sintomas7 que um paciente pode vir a apresentar”, comenta a Dra. Mariane Cristina Gennari de Assis, médica hematologista pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Dados da Divisão de População da Organização das Nações Unidas, até 2050, cerca de 70 milhões[8] de pessoas estarão acima dos 60 anos. Até 2100, 40% da população brasileira será composta por pessoas idosas[9]. “Isso mostra um cenário preocupante, e precisamos estar prontos para atender as necessidades dessa população, diz.”

“A leucemia mieloide aguda é rara antes dos 45 anos[10], mas existem algumas exceções. Estamos vendo, por exemplo, o caso da Fabiana Justus. A doença também pode ocorrer em crianças”, adiciona a médica.

Como é feito o diagnóstico e sintomas mais comuns

Acometendo a medula óssea, a LMA se desenvolve de forma rápida e, em poucas semanas, o paciente pode ficar muito fragilizado. “O diagnóstico precoce é um fator fundamental para um melhor prognóstico”, diz a Dra. Mariane.

Dentre os exames realizados para identificar a doença, o hemograma[11] é um primeiro passo, já que auxilia o profissional de saúde a identificar se o paciente apresenta diminuição de glóbulos vermelhos e plaquetas e se já existem alterações nos glóbulos brancos, que podem estar diminuídos ou aumentados, o que pode indicar a presença de células leucêmicas (conhecidas como blastos) no sangue do paciente.

“Existem também exames adicionais e testes que auxiliarão na compreensão do prognóstico da doença e na definição do tratamento. Um exemplo disso é o mielograma9, que é usado para quantificar as células leucêmicas presentes na medula óssea do paciente.  Para definição do tipo de leucemia utilizamos técnicas de imunofenotipagem. Os exames citogenéticos e moleculares que identificam alterações cromossômicas e mutacionais são fundamentais para classificação prognóstica e dessa forma escolher a melhor abordagem terapêutica”, adiciona a médica.

O que existe de inovação em tratamento hoje

“O tratamento é definido de acordo com o histórico, idade e saúde do paciente7”, explica a Dra. Mariane

“A evolução no tratamento de cânceres no sangue tem como principal objetivo aumentar a sobrevida do paciente, preservando a sua qualidade de vida. Hoje, encontramos avanços nos tratamentos de leucemias que atendem sobretudo a população idosa, que pode não conseguir passar por um tratamento padrão ou até mesmo por um transplante de medula óssea, seja por conta da idade, função orgânica anormal e das comorbidades que o paciente apresenta”, adiciona o especialista. Estima-se que 50% dos pacientes sejam inelegíveis[12] para os principais tratamentos.

Dentre as opções disponíveis atualmente, o tratamento dos cânceres hematológicos pode incluir quimioterapia[13], que tem como objetivo destruir, controlar ou inibir o crescimento de células doentes; imunoterapia, que estimula o sistema imunológico do organismo a destruir as células cancerígenas[14]; e as terapias-alvo, que atuam especificamente nas alterações genéticas causadas pela doença13, protegendo também as células saudáveis.

“No tratamento de LMA, é de extrema importância que a equipe médica responsável tenha uma visão global da doença, avaliando, inclusive, o estado de saúde do paciente. Da mesma maneira, é fundamental que o paciente mantenha um diálogo aberto com o médico sobre seus sintomas e inseguranças. Dessa forma, juntos, podem chegar a melhor solução terapêutica, impactando positivamente o prognóstico do paciente”, finaliza.

 Referências


[1] https://observatoriodeoncologia.com.br/mortalidade_leucemias/

[2] https://drauziovarella.uol.com.br/cancer/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-leucemia-mieloide-aguda/

[3] https://observatoriodeoncologia.com.br/panorama-da-atencao-de-leucemia-mieloide-aguda-no-sus/

[4] https://www.htct.com.br/pt-leucemia-mieloide-aguda-perfil-clinico-epidemiologico-articulo-resumen-S253113792101018X

[5] American Cancer Society (2020). What Is Acute Myeloid Leukemia (AML)?. https://www.cancer.org/cancer/acute-myeloid-leukemia/about/what-is-aml.html.

[6] National Cancer Institute. Adult Acute Myeloid Leukemia Treatment (PDQ)-Patient Version. https://www.cancer.gov/types/leukemia/patient/adult-aml-treatment-pdq.

[7] https://www.abrale.org.br/wp-content/uploads/2020/11/Manual-de-LMA.pdf

[8] https://projetocolabora.com.br/ods11/brasil-tera-quase-70-milhoes-de-idosos-em-2050/

[9] https://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=10716#:~:text=A%20propor%C3%A7%C3%A3o%20de%20idosos%2C%20que,%2C7%25%20para%209%25.

[10] https://www.oncoguia.org.br/conteudo/estatistica-para-leucemia-mieloide-aguda-lma/7944/331/

[11] https://www.bp.org.br/artigo/diagnostico-e-tratamento-da-leucemia-mieloide-aguda-lma

[12] Yoon J, Byung-Sik C, Hee-Je K, Jung-Ho K et al. Outcomes of elderly de novo acute myeloid leukemia treated by a risk-adapted approach based on age, comorbidity, and performance status. American Journal of Hematology. 2013; 88:1074–1081.

[13] https://www.oncoguia.org.br/conteudo/novidades/1966/307/#:~:text=O%20objetivo%20da%20imunoterapia%20%C3%A9,outra%20prote%C3%ADna%20espec%C3%ADfica%20denominada%20ant%C3%ADgeno.

[14] https://www.oncoguia.org.br/conteudo/novidades/1966/307/#:~:text=O%20objetivo%20da%20imunoterapia%20%C3%A9,outra%20prote%C3%ADna%20espec%C3%ADfica%20denominada%20ant%C3%ADgeno.

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