Cerca de 40% da população brasileira sofre de dor crônica; especialista fala sobre inovações no tratamento
A dor crônica é uma realidade para milhões de brasileiros, especialmente para aqueles afetados por doenças neurodegenerativas, como AVC (Acidente Vascular Cerebral), Parkinson e esclerose múltipla. Mais do que um incômodo, essa dor pode comprometer a mobilidade, o humor e a qualidade de vida, dificultando a recuperação e o bem-estar.
Segundo estimativas da
Sociedade Brasileira de Estudos da Dor (SBED), cerca de 40% da população brasileira – o que representa aproximadamente 60 milhões de pessoas – sofre de dor crônica. Um estudo do Ministério da Saúde revelou que 36,9% dos brasileiros com mais de 50 anos enfrentam esse problema, conforme dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (ELSI-Brasil).
Segundo a médica fisiatra
Prof.ª Dra. Matilde Sposito, especialista em bloqueios neuroquímicos, com consultório em Sorocaba-SP, é possível controlar a dor crônica com tratamentos modernos e não invasivos. "A dor persistente não deve ser ignorada. Hoje, contamos com recursos para melhorar o conforto do paciente e permitir que ele tenha uma vida mais ativa e funcional", explica a especialista.
Quais são os tipos de dor crônica mais comuns?
Pacientes com doenças neurológicas podem apresentar diferentes tipos de dor, incluindo:
Dor neuropática – Causada por lesões nos nervos ou no cérebro, caracterizada por sensações de queimação, formigamento ou choques elétricos, comum em pacientes que sofreram AVC.
Dor musculoesquelética – Relacionada à perda de mobilidade e posturas inadequadas, afetando articulações, músculos e ossos, como ocorre em quem tem Parkinson.
Espasticidade dolorosa – Contrações musculares involuntárias e rigidez, frequentes após o AVC e em doenças neurológicas.
Como tratar?
Prof.ª Dra. Matilde Sposito ressalta que o tratamento deve ser personalizado, considerando as necessidades de cada paciente. Por meio de abordagens personalizadas, examinando caso a caso, busca-se alternativas para aliviar dores e reduzir uma série de desconfortos, que vão além do aspecto físico e impactam também na saúde emocional do paciente, gerando estresse e angústia.
“Entre os métodos mais comuns, estão a acupuntura, os bloqueios neuroquímicos com toxina botulínica, que ajudam a controlar espasmos musculares e rigidez, terapias manuais, tratamentos off label e exercícios”, afirma a especialista.
Ela salienta que, frequentemente, outros profissionais da saúde colaboram no plano de tratamento, como fisioterapeutas, neurologistas, psicólogos e terapeutas ocupacionais, para oferecer um cuidado abrangente e, portanto, eficaz para a promoção da saúde integral do paciente.
Entre as abordagens mais eficazes, segundo a médica fisiatra, estão os bloqueios neuroquímicos. Trata-se da aplicação de toxina botulínica (o popular Botox) diretamente nos nervos ou músculos para reduzir a dor. O uso dessa substância ajuda a aliviar espasmos musculares e dores associadas à espasticidade.
"É curioso, pois há pessoas que ainda não conhecem essa funcionalidade da toxina. Ao atuar de forma localizada e em pequenas quantidades, conseguimos aliviar a dor, sem a necessidade de altas doses de medicamentos analgésicos, que, muitas vezes, causam efeitos adversos, como sonolência, tontura, problemas gastrointestinais e dependência", explica Prof.ª Dra. Matilde Sposito.
A médica alerta que qualquer dor que persista por mais de três meses e interfira na rotina do paciente deve ser avaliada por um especialista. "Muitas vezes, os pacientes se acostumam com a dor e deixam de procurar ajuda. No entanto, existem tratamentos eficazes que podem trazer alívio e qualidade de vida", enfatiza.
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