Especialista esclarece dúvidas sobre o assunto
Tema será abordado no
62º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia – CBGO, que acontece de 14 a 17 de maio, no Riocentro, RJ.
Nos últimos anos, os implantes hormonais ganharam popularidade entre mulheres que buscam métodos eficazes para o controle de sintomas da menopausa, tratamento de endometriose, tensão pré-menstrual (TPM), entre outras condições ginecológicas. No entanto, uma polêmica tem chamado a atenção de profissionais de saúde e da sociedade: a segurança dos implantes manipulados, especialmente aqueles produzidos fora de laboratórios industriais regulamentados.
O implante hormonal manipulado, inserido na pele através de um tubinho de 4 a 5 cm, é uma forma de fornecer diferentes tipos de hormônios por via subcutânea. “O grande problema é a indicação desses implantes por vários médicos”, explica a
Dra. Rita de Cássia de Maio Dardes, ginecologista, membro da Comissão Nacional de Especialização do Climatério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
Segundo a médica, não existe nenhuma diretriz com indicação de implantes para um equilíbrio hormonal e bem-estar. “Há um consenso entre as sociedades médicas como a Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC) e a Sociedade Norte-Americana de Menopausa (NAMS) de que a reposição hormonal, não manipulada, deve der feita em mulheres durante a transição menopausal e pós-menopausa recente com sintomas climatéricos. Os benefícios podem ser observados com os implantes hormonais em mulheres sintomáticas - que costumam reportar melhoras nos sintomas. Porém não existe segurança com o uso dos implantes, pois existe escassez de estudo”, comenta Dra. Rita de Cássia.
Diferentemente dos implantes industrializados, que passam por rígido controle da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), há implantes que são produzidos em farmácias de manipulação, muitas vezes sem os mesmos padrões de controle e rastreabilidade.
Possíveis efeitos colaterais
Existem relatos de efeitos colaterais graves em decorrência do uso dos implantes hormonais manipulados, tais como infarto, tromboembolismo, AVC, complicações hepáticas, dermatológicas, psiquiátricas, renais e musculares, em especial, no abuso de doses e na diversidade de fármacos implantados na mulher. Os efeitos adversos obtidos com excesso de androgênios podem ser irreversíveis, como alteração da voz, aumento do clitóris e problemas de infertilidade.
É comum: mulheres com implantes hormonais apresentam queixas de dores de cabeça, náuseas, mudanças de humor, ganho de peso e sensibilidade nas mamas. “Toda mulher com sintomas de fogachos, secura vaginal, diminuição de libido, osteopenia, fadiga, insônia, alteração do humor, sintomas típicos do climatério, tem indicação de reposição hormonal. Essa mulher deve estar dentro da janela de oportunidade, mas precisa ser avaliado o ponto de vista de ter ou não contraindicação e apresentar exames de segurança recentes. Após rigorosa análise podemos indicar terapia hormonal, no entanto, temos opções eficazes e seguras disponíveis da indústria farmacêutica”, revela a especialista.
Falta de regulamentação
De acordo com a ginecologista, o principal problema dos implantes hormonais manipulados está na ausência de regulamentação. “A Anvisa proíbe a comercialização e o uso de implantes à base de esteroides anabolizantes ou hormônios androgênicos com finalidade estética, para ganho de massa muscular ou melhora de desempenho esportivo. Proíbe também fazer propaganda para o público em geral, de qualquer tipo de implante hormonal manipulado”.
Ainda há o risco da automedicação ou do uso indiscriminado desses dispositivos sem o devido acompanhamento. “Os médicos têm a responsabilidade de orientar suas pacientes com base em evidências científicas. Não podemos lançar mão de reposição hormonal com ausência de segurança e eficácia, sendo que temos inúmeras opções de medicamentos da indústria farmacêutica com estudos clínicos relevantes e liberados pela Anvisa”, finaliza.
“Uso de implantes manipulados: São seguros?” é tema da programação científica do #CBGO2025.
62º CBGO
Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia
https://cbgo2025.com.br/