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Parto Humanizado: Especialistas alertam para banalização do termo

Parto Humanizado: Especialistas alertam para banalização do termo e orientam mulheres sobre como identificar boas práticas e evitar abusos

Após denúncia exibida pelo Fantástico, ginecologista e enfermeira obstetra explicam que a verdadeira humanização não está na estética do parto, mas na escuta, no consentimento e na segurança baseada em evidências
 
A morte de recém-nascidos, relatos de dor extrema sem analgesia, episiotomias sem consentimento e intervenções feitas à revelia da gestante. Esses foram alguns dos casos que chocaram o país no último domingo (21), com a exibição da reportagem do Fantástico. A denúncia levanta um alerta: é possível sofrer violência obstétrica até mesmo em partos rotulados como “naturais” ou “humanizados”.

Para o Dr. Paulo Noronha ginecologista e obstetra, pela FEBRASGO, é essencial resgatar o real significado do termo, cada vez mais distorcido nas redes sociais:
 
“Parto humanizado não é um estilo de parto nem um serviço que se vende. É um movimento por direitos: o direito da mulher de ser protagonista do próprio corpo, de ser respeitada, ouvida, informada e de participar de cada decisão que envolve o nascimento do seu filho.”

A humanização surgiu como resposta à medicalização excessiva do parto, à imposição de condutas que desconsideram a individualidade da gestante e à cultura de intervenções sem embasamento científico. Ainda hoje, práticas como a episiotomia de rotina, a manobra de Kristeller (empurrar a barriga da mulher), o jejum prolongado e o uso indiscriminado de ocitocina são usadas sob a justificativa de “acelerar o trabalho de parto” — mas, segundo Noronha, ferem princípios básicos da assistência segura e respeitosa.
 
“A humanização do parto não é contra intervenções, mas contra a falta de critério e consentimento. Se for necessário usar ocitocina ou realizar uma analgesia para garantir o parto vaginal, isso pode ser feito, mas, sempre com base em evidência científica, justificativa clínica e com o consentimento informado da mulher.”

A educação perinatal é, segundo o especialista, uma das formas mais eficazes de se proteger contra abusos. Conhecer os diferentes cenários possíveis do parto, entender os sinais de alerta e saber que o plano de parto é um documento legal pode ser decisivo para que a gestante tenha uma experiência segura.

Já para a enfermeira obstetra Cinthia Calsinski, é possível identificar profissionais que apenas se apropriam do discurso da humanização sem aplicá-lo na prática.

“Humanização se vê nos detalhes: na escuta ativa, no tempo de consulta, no respeito às suas dúvidas, no compartilhamento das decisões. Quando a mulher sai da consulta se sentindo infantilizada, desconectada ou desinformada, já é um sinal de alerta.”

Ela lembra que a violência obstétrica pode ocorrer em qualquer tipo de parto, inclusive em partos domiciliares. A chave está no respeito e na informação.

Entre os sinais de alerta para a violência obstétrica estão:
- Realização de procedimentos sem explicar ou sem consentimento;
- Frases desqualificadoras como “deixa que eu sei o que estou fazendo” ou “não se preocupe agora com isso”;
- Impedimento da presença do acompanhante;
- Manobras invasivas e dolorosas sem indicação clínica.
- E como agir se a mulher estiver sofrendo violência obstétrica durante o parto?

“Frases como ‘isso precisa do consentimento dela’ ou ‘respeite o plano de parto’ podem ser ditas pelo acompanhante ou pela doula. Registrar com fotos ou vídeos também é um direito. E após o parto, o caminho da denúncia pode começar na ouvidoria do hospital e seguir até o Ministério Público, se necessário”, orienta Cinthia.
 
A banalização da humanização
As redes sociais também são alvo de crítica dos especialistas. O termo “parto humanizado” tem sido tratado como rótulo comercial, associado a ambientes com iluminação suave e banheiras, enquanto, na prática, falta escuta, respeito e técnica.
“Humanização não é decoração de sala de parto. É garantir que a mulher seja tratada com dignidade, com base em ciência e não em modismos”, reforça Noronha.

Dr. Paulo Noronha Ginecologista e Obstetra
Crm: 105.530
RQE: 75.863
Diretor Técnico da Clínica Espaço Mãe
Formado pela FAMERP em 2001
Título de Especialista em ginecologia e obstétrica pela FEBRASGO
Área de atuação: Ginecologista e Obstetra com foco no pré-natal, parto e pós-parto respeito e seguro. Especialista em gestação de alto risco


Cinthia Calsinski é preparada para analisar criticamente a situação da paciente e investigar problemas que possam prejudicá-la ou a seu filho, sempre buscando soluções através de diversos métodos científicos, é habilitada para conduzir um parto quando acontece de forma natural, analisar a gestante, verificar contrações, dilatações e demais alterações no funcionamento do organismo feminino no momento do parto, e discernir quaisquer alterações patológicas que possam requerer um atendimento médico especializado. Por meio de consultorias domiciliares, Cinthia prepara a mãe para o parto, amamentação, como lidar com um recém-nascido com todos os desafios que ele proporciona, cuidados de higiene, preparo do ninho (ambiente do quarto, disposição de móveis, enxoval, treinamento de babás), curso de primeiros socorros, reciclagem para avós, colocação de brincos em meninas. Tudo na tranquilidade do lar, com hora marcada.
Enfermeira Graduada pela Universidade Federal de São Paulo-Unifesp
Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal de São Paulo-Unifesp
Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal de São Paulo-Unifesp
Enfermeira Obstetra pelo Centro Universitário São Camilo
Consultora Internacional de Lactação pela IBCLC
Consultora do Sono Materno-Infantil formada pelo International Maternity e Parenting Institute (IMPI)

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