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Como Diferenciar Epilepsia de Convulsão?

Como Diferenciar Epilepsia de Convulsão?

Nem toda crise epiléptica é uma convulsão: conheça as diferenças entre a doença neurológica e o sintoma agudo
Segundo neurologista da Casa de Saúde São José, a epilepsia é uma doença relacionada ao sistema nervoso central com crises agudas, cujos sintomas dependem da área cerebral afetada
 
A epilepsia é uma doença mais comum do que parece, embora seja frequentemente invisibilizada. Desde figuras importantes e históricas como Van Gogh e Machado de Assis até celebridades como Carol Portaluppi, a atriz Laura Neiva e o rapper Lil Wayne, a epilepsia é uma das condições neurológicas mais comuns. 
 
A condição é frequentemente associada às convulsões, mas a epilepsia vai muito além desse sintoma, explica o Dr. Fabrício Hampshire. “É uma doença crônica relacionada ao sistema nervoso central que se manifesta em qualquer idade, porém, é mais comum nos extremos da vida (juventude e velhice). Ela se manifesta com crises agudas, cujos sinais e sintomas dependem da área cerebral afetada”, explica o neurologista da Casa de Saúde São José.
 
A epilepsia é causada por descargas elétricas atípicas nos neurônios, que acabam interrompendo momentaneamente a comunicação com o cérebro. As causas dessas descargas podem ser variadas: desde lesões estruturais (como tumores ou AVC) e traumatismo craniano até infecções, como meningite, e fatores genéticos. As formas de manifestação da doença são associadas a crises agudas e temporárias, sendo as convulsões apenas um dos diversos tipos possíveis de crise. 
 
“Normalmente, ocorrem abalos involuntários motores com perda da consciência, com duração média de alguns minutos. Popularmente conhecida como convulsão, a crise tônico-clônica acontece quando o paciente fica todo enrijecido e, em seguida, sofre de abalos motores rítmicos involuntários”, completa o Dr. Fabrício. Uma pessoa não diagnosticada com epilepsia, portanto, também pode sofrer convulsões ou outras crises epilépticas. Segundo a OMS, inclusive, cerca de 5% da população mundial terá, ao menos, uma crise epiléptica na vida.
 
“O diagnóstico da epilepsia é feito através da consulta com um neurologista, que fará uso da história clínica, exame físico e exames complementares (como a ressonância magnética e o eletroencefalograma) para o correto diagnóstico. O tratamento é feito basicamente com medicamentos que previnem as crises, os chamados anticonvulsivantes, porém outras medidas podem ser necessárias conforme cada caso. Afinal, o tratamento deve ser individualizado”, comenta o médico da Casa de Saúde São José.
 
Além das convulsões, outros tipos de crise epiléptica incluem alterações súbitas da consciência, comportamentos estereotipados (ações repetitivas, padronizadas e sem propósito funcional aparente), dentre muitos outros fenômenos que não necessariamente incluem a perda total de consciência. Isso acontece já que as crises podem ser focais, quando atingem somente uma área do cérebro e podem se manifestar somente por um desvio do olhar ou confusão mental, ou generalizadas, quando atingem os dois lados do cérebro e podem mais facilmente levar a perda total da consciência.
 
Crises epilépticas podem ocorrer mesmo em pacientes não diagnosticados com epilepsia, logo, isso pode acontecer com qualquer pessoa ao seu lado. É fundamental saber socorrer uma pessoa em convulsão ou sofrendo de alguma crise epiléptica: “Ao testemunhar uma pessoa tendo uma crise epiléptica, inicialmente procure ficar calmo, pois na maioria das vezes a duração da crise é autolimitada e dura alguns minutos. Chame ajuda e coloque a pessoa de lado, em decúbito lateral, para que secreções orais não prejudiquem a via aérea. Não tente segurar a língua ou colocar seus dedos dentro da boca do paciente”, conclui o Dr. Fabrício Hampshire, neurologista da Casa de Saúde São José.

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