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Avanço na prevenção do VSR ganha força no Brasil
A incorporação do nirsevimabe ao Sistema Único de Saúde (SUS) marca um novo momento na prevenção de infecções respiratórias na primeira infância. A chegada da tecnologia ao sistema público ocorre em um período crítico, durante a sazonalidade dos vírus respiratórios, quando há maior circulação de agentes infecciosos e pressão sobre os serviços de saúde.Indicado para a prevenção de infecções causadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR) em todos os bebês, nascidos a termo ou prematuros, o imunizante amplia a proteção especialmente entre os grupos mais vulneráveis.
O VSR é o principal responsável por casos de bronquiolite e figura entre as maiores causas de hospitalização em crianças pequenas, sendo um desafio relevante para a saúde pública.Dados do OpenDataSUS evidenciam esse impacto. Entre fevereiro e junho de 2025, o Brasil registrou aumento de 36% nas hospitalizações por VSR em bebês de até um ano, na comparação com o mesmo período de 2024, e de 71% em relação a 2023. A gravidade dos quadros também chama atenção: somente em maio do ano passado, 31% dos bebês hospitalizados precisaram de internação em unidades de terapia intensiva.
Embora muitas vezes associado a sintomas leves, semelhantes aos de um resfriado comum, o vírus pode evoluir para quadros graves, como bronquiolite e pneumonia. Outro dado relevante é que mais de 70% dos bebês hospitalizados nasceram saudáveis e a termo, reforçando que o risco não se limita apenas a grupos previamente considerados mais vulneráveis.
Desde fevereiro, o nirsevimabe passou a ser disponibilizado pelo SUS para bebês prematuros nascidos a partir de agosto de 2025, com menos de 37 semanas de gestação e até seis meses de idade, além de crianças de até 24 meses com comorbidades, como doença pulmonar crônica da prematuridade, cardiopatias congênitas, anomalias das vias aéreas, doenças neuromusculares, fibrose cística, imunossupressão e síndrome de Down.
A administração pode ocorrer ainda na maternidade, desde que o recém-nascido esteja clinicamente estável, ampliando a possibilidade de proteção precoce. Para aqueles que não receberam o imunizante ao nascer, a recomendação é buscar a Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais durante a sazonalidade do vírus, entre fevereiro e agosto.
O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal de ação prolongada que oferece proteção direta contra o VSR. Diferentemente das vacinas tradicionais, a tecnologia fornece anticorpos prontos, garantindo proteção imediata contra infecções respiratórias graves do trato inferior.
Na avaliação do infectologista pediátrico Dr. Renato Kfouri, a medida representa uma mudança importante no enfrentamento das infecções respiratórias na primeira infância. “O vírus sincicial respiratório é uma das principais causas de bronquiolite e hospitalizações em bebês nos primeiros meses de vida. O uso de uma ferramenta comprovadamente eficaz pelo sistema público para proteger os bebês vulneráveis desde o nascimento é um passo extremamente importante para prevenir desfechos graves”, destaca.
A infectologista Dra. Rosana Richtmann reforça que o cenário atual abre novas perspectivas para o controle da doença no país. “A possibilidade de proteger bebês antes do primeiro contato com o VSR representa uma mudança significativa, com potencial para reduzir hospitalizações e melhorar o cuidado com a saúde infantil, especialmente entre os mais vulneráveis”, afirma.
Segurança para as famílias
A ampliação do acesso também é vista como um marco por organizações que atuam com famílias de crianças em situação de maior risco. Para Denise Suguitani, da ONG Prematuridade.com, a chegada do imunizante traz mais segurança para famílias de bebês prematuros. “Esses bebês já enfrentam uma jornada intensa de cuidados desde o nascimento e permanecem mais suscetíveis a infecções respiratórias. A possibilidade de prevenção contra o VSR representa um avanço importante no cuidado com essa população”, diz.
Já a pneumologista Dra. Ângela Honda, diretora executiva da Fundação ProAr, destaca o impacto de longo prazo das estratégias preventivas. “Ampliar o acesso à prevenção e à informação é fundamental para reduzir complicações na infância e melhorar a qualidade de vida ao longo dos anos, beneficiando não apenas as crianças, mas toda a família”, explica.
Experiências internacionais
Experiências internacionais reforçam o potencial dessa abordagem. No Chile, a implementação de uma estratégia nacional de imunização contra o VSR resultou em redução de 76% nas hospitalizações e de 85% nas internações em UTI pediátrica, além da ausência de mortes em bebês menores de um ano nos primeiros anos de adoção da medida.