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Especialista alerta: Câncer de esôfago afeta até quatro vezes mais homens

Câncer de esôfago afeta até quatro vezes mais homens; especialista alerta para prevenção
 
Campanha Abril Azul Claro chama a atenção para essa doença silenciosa e de alta letalidade; mudança de hábitos ajuda na prevenção
 
Apesar de, em muitos casos, ser prevenível, o câncer de esôfago continua com diagnóstico tardio e números preocupantes no Brasil, especialmente entre os homens, que concentram quase quatro vezes mais mortes que as mulheres. Neste mês, a campanha Abril Azul Claro chama a atenção para essa doença silenciosa e de alta letalidade.
 
Dados levantados em 2026 pela SBCO (Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica) apontam que o país registrou 8.677 mortes por câncer de esôfago em 2024, com tendência de crescimento nos últimos anos. Desse total, 6.830 ocorreram entre homens e 1.847 entre mulheres, evidenciando uma disparidade significativa.
 
O oncologista da Hapvida Jorge Abissamra explica que a disparidade tem razão comportamental. “Homens, em média, fumam mais, consomem mais álcool e procuram menos o sistema de saúde. Além disso, têm maior prevalência de hábitos alimentares inadequados e menor adesão ao tratamento de doenças como refluxo gastroesofágico. Essa combinação aumenta significativamente o risco ao longo da vida”, afirma.
 
Entre os principais fatores de risco estão o consumo de álcool e o tabagismo, incluindo cigarro tradicional, eletrônico e narguilé. “O tabaco causa dano direto ao DNA das células do esôfago, promovendo mutações. Já o álcool atua como irritante crônico da mucosa e facilita a ação de substâncias carcinogênicas. Quando combinados, o efeito é multiplicador. O risco pode ser até 20 vezes maior”, destaca Abissamra.
 
Outros fatores de relevância são a obesidade, o refluxo gastroesofágico crônico e a alimentação inadequada.
 
Diagnóstico precoce
 
Um dos principais desafios no combate à doença é o diagnóstico precoce. Isso porque os sintomas costumam surgir de forma mais evidente em fases mais avançadas.
 
“O principal sintoma é a dificuldade para engolir, que começa com alimentos sólidos e pode evoluir para líquidos. Outros sinais incluem perda de peso, dor ao engolir e sensação de alimento parado. O problema é que esses sintomas aparecem tardiamente. No início, a doença é silenciosa. Quando o paciente percebe algo relevante, o tumor geralmente já está avançado”, alerta o médico.
 
Quando identificado precocemente, o câncer de esôfago apresenta melhores perspectivas de remissão. “Em fases iniciais, é possível realizar tratamento curativo com cirurgia ou até técnicas endoscópicas. Já nos estágios avançados, o tratamento é mais complexo e com menor chance de cura. Detectar cedo pode literalmente salvar vidas”, reforça.
 
Diante desse cenário, a conscientização ganha papel central, sobretudo entre o público masculino. Mudanças de comportamento são fundamentais para reduzir o risco. “Parar de fumar, reduzir o consumo de álcool, controlar o peso, tratar o refluxo e manter uma alimentação equilibrada são medidas diretas e eficazes. Ao eliminar esses fatores, é possível reduzir drasticamente a chance de desenvolver a doença”, conclui Abissamra.

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